Sufocando. É assim que me sinto, o tempo todo. Falta-me o ar para respirar. Falta-me espaço para viver. É possível mesmo chamar isso de casa? É possível mesmo chamar isso de vida? O ar é pouco, tudo me sufoca. Sinto minha garganta apertar, meus pulmões pedem socorro. Dói. Arde. Queima. Prestes a explodir.
Será que posso fugir? Será que posso sumir? Só correr, correr para longe de tudo, de todos, e nunca mais voltar? Largar tudo sem me importar com ninguém, sem pensar em nada, apenas ir. Sem olhar para trás, quero resistir à vontade louca que me consome de saber se você vai atrás de mim. Não importa. Quero acreditar nisso.
Preciso ir. Preciso sumir, fugir, abandonar essa vida que se iguala ao inferno. Preciso correr, correr para bem longe, para qualquer lugar onde meus pulmões possam funcionar, onde o ar não me falte, onde possa respirar.
Só preciso sumir, ficar longe de tudo, longe do mundo. Preciso chorar sem me esconder, fazer o que gosto sem questionamentos. São necessidades.
R.
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